UMA VIDA DEDICADA AO PRÓXIMO

04/08/2012 08:25
 

22/07/2012 -- 00h00 Publicado na FOLHA DE LONDRINA

Uma vida dedicada ao próximo

O londrinense Aldo Pedalino e a equipe da AME atendem crianças e adolescentes em situação de risco; é um sonho que se tornou realidade
Saulo Ohara
Para Aldo Pedalino, ajudar o próximo não exige uma boa situação financeira. ''As pessoas podem contribuir com seus dons e qualidades''
''Gostaria de contribuir para um mundo melhor e devolver para a sociedade todas as regalias que tive durante a vida''. Foram estes os sentimentos que impulsionaram o londrinense Aldo Pedalino, 53 anos, dentista com pós-graduação em odontopediatria, a mudar o rumo de sua vida e começar a se dedicar ao voluntariado. E o que era um sonho se tornou realidade. A semente plantada em meados de 2003, germinou e frutificou, dando origem à Associação Mãos Estendidas (AME), formalmente fundada em 2005. O trabalho desenvolvido pela entidade atualmente atende crianças e adolescentes em situação de risco do Conjunto Novo Amparo (Zona Leste de Londrina).

O apoio da família, segundo Pedalino, foi fundamental. Casado há 22 anos com a advogada Patrícia Grassano, tem quatro filhos: Laura, 20, Glória, 19, Giovana e Kauê, 2. ''Nas atividades voluntárias sou sempre acompanhado da minha mulher e dos meus filhos. Minhas filhas mais velhas ministram atividades aos sábados na AME'', conta orgulhoso.

Para ele, o maior legado que um pai pode deixar aos filhos é o exemplo de vida. Por isso, sente uma enorme satisfação ao ver a sua prole seguindo os seus passos. ''Costumo dizer que para educar podemos ser mudos, pois o que realmente conta é o exemplo'', afirma.

Na concepção de Pedalino, ajudar o próximo não exige que, obrigatoriamente, a pessoa disponha de uma boa situação financeira. ''Cada um dá o que tem. As pessoas podem ajudar com seus dons e qualidades'', defende ele, acrescentando que ''Madre Teresa de Calcutá já dizia que o que faz alguém rico não é a quantidade de dinheiro, mas o quanto consegue compartilhar com os outros''.

E muitas pessoas alegam justamente a condição financeira para não se engajar em um trabalho voluntário. ''O fato do brasileiro ser um povo aberto e alegre não o torna solidário. A justificativa da maioria é que já paga imposto e, portanto, faz a sua parte. Mas esse conceito é equivocado'', critica Pedalino.

Na opinião dele, o governo por si só não consegue realizar as transformações necessárias. ''Se não houver a disponibilidade do povo, as mudanças nunca ocorrerão. Precisamos trabalhar em parceria com o governo, dividir com quem está ao nosso lado e principalmente com quem mais necessita de ajuda'', ressalta.

Pedalino defende que para alcançar uma mudança efetiva ''é preciso ir na origem dos problemas, sentir as dores dos necessitados e resgatar pessoas para uma vida mais digna e respeitosa''.

Para o futuro, ele espera ampliar os serviços oferecidos pela entidade com o apoio de empresários. ''Gostaríamos de construir um centro esportivo de referência nacional'', adianta. Deseja também estender os atendimentos para outros bairros de risco de Londrina. ''Acredito que tudo isso é possível. Basta querer'', destaca.

Satisfeito com os resultados

Ao fazer uma rápida ''viagem no tempo'', Pedalino lembra como tudo começou. ''Quando entramos pela primeira vez no Conjunto Novo Amparo, não sabíamos o que ia acontecer e nem o que exatamente faríamos'', admite. Hoje, após nove anos de trabalho, sendo sete com a entidade, ele avalia que os resultados alcançados superaram, e muito, as expectativas. ''Hoje fazemos mais de 2 mil atendimentos às famílias do bairro anualmente, realizando encaminhamentos aos serviços de assistência social. Também oferecemos atendimento psicológico médico e odontológico e desenvolvemos atividades sócio-educativas com cerca de 180 crianças. Servimos mais de 390 refeições todos os dias'', calcula.

A entidade, segundo ele, refletiu positivamente no Conjunto Novo Ampararo. ''Hoje o bairro não é violento como antes. E as crianças querem seguir os bons exemplos que lá temos. Os pais já conseguem se relacionar com a entidade, que não sofre saques ou assaltos'', conta Pedalino, que acredita que as crianças e adolescentes que têm parentes presos ou que já foram presidiários já conseguem enxergar um novo futuro. ''Percebemos que estão criando novos paradigmas de vida, conceitos de honestidade, cidadania e respeito'', observa.

Por estas e outras razões, Pedalino afirma que é uma pessoa muito realizada. ''Pretendo continuar neste caminho e se fosse preciso faria tudo outra vez. Posso dizer com certeza que quando você se doa incondicionalmente o mundo conspira a seu favor'', diz, destacando que nada seria possível se não fosse o trabalho de toda a equipe que atua na entidade. ''Dedicamos o nosso tempo livre pois acreditamos que o ser humano vale a pena'', conclui.

E por trás do conhecido voluntário e profissional existe um Pedalino que é músico - toca guitarra e piano -, esportista - anda de bicicleta -, faz aulas e é professor de Aikido (arte marcial) e apaixonado pela família. Como ninguém é de ''ferro'', é nesses momentos que ele recarrega as energias e encontra forças para continuar firme em seu propósito.

 
Paula Costa Bonini
Reportagem Local
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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